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O despertar dos ecossistemas: Chegou a hora de tomarmos as rédeas da nossa inovação territorial

Foto do escritor: Luan Sarkis
Luan Sarkis
29 de set.
5 min de leitura

FONTE DA IMAGEM: Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30 - ISBN: 978-65-83622-10-5


No meu último texto por aqui, falei bastante sobre como as startups e a bioeconomia são os indutores de ideais para mantermos a nossa maior riqueza de pé: a floresta. Mudamos a chave do discurso, provando que dá, sim, para aliar desenvolvimento econômico com conservação. (Se você não leu ainda, dá um pulo no meu perfil do LinkedIn depois, pois as ideias se completam!).


Mas aí fica a pergunta: se a floresta é a nossa base e a inspiração dos nossos negócios sustentáveis, quem é o motor que vai fazer essa transformação rodar de verdade? A resposta é clara: a força e a organização do nosso próprio ecossistema de inovação. É sobre esse protagonismo regional que a gente precisa conversar agora.


Eventos gigantes como o recém realizado Inova Amazônia Summit 2026 funcionam como um verdadeiro farol para nós. E aqui faço questão de registrar a minha reverência e admiração ao Sebrae. A iniciativa brilhante da instituição em capitanear esse movimento não só deu uma vitrine imensurável para as nossas startups de bioeconomia, como provou por "A mais B" que é perfeitamente viável articular uma rede amazônica voltada para a inovação de alto impacto. O Sebrae, como sempre, tem sido um parceiro histórico na construção dessa nova matriz econômica.


Um evento desse porte, por mais incrível que seja, é a faísca, não o motor que vai funcionar para sempre. Para que a bioeconomia saia do discurso inspirador e gere riqueza, emprego e impacto real na ponta, o próximo passo não pode ser terceirizado: cada ecossistema local precisa assumir as rédeas do seu próprio futuro.


A Amazônia Legal é gigante e plural. As dinâmicas, os gargalos e as riquezas do Acre são relativamente diferentes das que vemos no Pará, no Amazonas ou em Rondônia, por exemplo. No meu dia a dia desenvolvendo negócios e impactando milhares de alunos nas mais diversas ações de cultura empreendedora, uma coisa fica nítida: o sucesso de qualquer política pública ou privada depende estritamente de ela ter a cara e o DNA do território. Chega de depender de ações que vêm de cima para baixo, de forma centralizada. É a hora de os governos estaduais, a academia, o setor produtivo e a sociedade civil organizada segurarem a bola e darem continuidade aos projetos, adaptando as metodologias às nossas realidades.


Para que nossos estados não percam essa janela histórica, estruturei sete recomendações que considero os pilares de qualquer política de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) territorial, para os que queiram fazer dar certo (não somente para regiões com vocação na bioeconomia sócio biodiversidade):


1. Proteger e gerir nossos ativos intangíveis 

Na minha pesquisa de mestrado, identifiquei um gargalo clássico que chamo de "paradoxo da sensibilização sem instrumentalização". A gente sabe que proteger a ideia é importante, mas na hora H faltam mecanismos práticos. As políticas estaduais precisam criar programas de suporte técnico contínuo para que os empreendedores transformem a adequação regulatória em vantagem competitiva, instrumentalizando de verdade o registro de marcas, patentes e resguardando os saberes tradicionais associados;


2. Hubs e incubadoras apontados para as vocações locais

O governo estadual tem que facilitar a vida de quem inova. Precisamos de pré-incubadoras e incubadoras que vão muito além de um espaço físico com Wi-Fi. Elas devem oferecer mentorias focadas na complexidade da bioeconomia (e demais áreas), e criar conexões institucionais diretas com os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) das nossas universidades e institutos federais;


3. Compras públicas para inovação: 

A máquina pública tem o poder de tracionar esse mercado. Precisamos de linhas de subvenção exclusivas para bionegócios, aliadas ao uso inteligente de ferramentas como o Contrato Público de Solução Inovadora – CPSI, que já está previsto no Marco Legal das Startups. O CPSI permite que o Estado teste e compre de forma ágil, atuando como o primeiro cliente dessas startups e garantindo que elas sobrevivam aos estágios iniciais;


4. Governança permanente do ecossistema local de inovação

Inovação não se faz de forma provisória. Precisamos institucionalizar a governança local, criando fóruns, comitês e câmaras técnicas permanentes para articulação, discussão, interlocução e relacionamento. E o mais importante: essa turma precisa se articular de verdade, tomar as rédeas e puxar a implementação prática das ações de fomento ao empreendedorismo e da inovação, garantindo que os projetos sobrevivam às trocas de governo e virem políticas de Estaduais, municipais e regionais;


5. Cultura de inovação, a garantia da continuidade

De nada adianta a melhor infraestrutura se a gente não preparar as mentes. É urgente colocar estratégias de ensino e comportamento empreendedor desde a base. A cultura de inovação tem que ser oxigenada nas escolas, nas universidades e nas comunidades para despertar no povo aquela vontade de resolver problemas e transformar a própria realidade através de soluções inovadoras;


6. Educação empreendedora especializada (Pré-aceleração e Aceleração)

Quem inova precisa de preparo e o contato inicial com a inovação não segura uma empresa em pé; o sucesso depende de trilhas formativas contínuas. Estruturar programas regionais intensivos de pré-aceleração e aceleração é vital para pegar aquela ideia fantástica que nasceu no meio da floresta (no território em geral), e moldá-la num modelo de negócio validado e que ganhe escala.


7. Lei de inovação e o arcabouço jurídico a nosso favor

Para segurar todas essas ações em pé, a base jurídica precisa ser sólida. A atualização ou criação de leis de inovação estaduais e municipais é o que vai incluir nosso território no mapa jurídico da inovação, desburocratizando as parcerias público privadas, atraindo investidores anjo e deixando claras as regras do jogo;


O Inova Amazônia Summit nos mostrou que a gente já sabia no fundo: somos muito capazes de liderar a economia verde. O Sebrae fez a parte dele com excelência e plantou sementes robustas. Agora, o convite (e o desafio), está diante dos nossos olhos – a oportunidade de fazermos a diferença es no aqui e no agora. Vamos honrar as nossas raízes, dar continuidade a tudo isso com o nosso sotaque e mostrar para o mundo que a verdadeira força da Amazônia está na união do seu povo com um ecossistema de inovação forte, maduro e amparado por lei.


Chegou a nossa vez. Vamos assumir o controle do nosso desenvolvimento! 🌳💡🚀


E aí, como você vê a movimentação do ecossistema de inovação no seu estado em relação a esses 7 pilares? O que tá faltando pra gente tomar as rédeas de vez? Deixa sua opinião aqui nos comentários (e se ainda não leu o texto anterior sobre a floresta em pé, corre lá no perfil do LinkedIn)!


Autor: Luan Sarkis - Empreendedor, consultor e pesquisador / @luansarkis / Luan A. Sarkis 

 
 
 

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